Toda beleza um sonho, inda que exista.
Porque a beleza é sempre mais do que é.
Toda beleza vista
Não está de mim ao pé.
Dista de mim o que em ti vejo, mora
Onde sonho. Se existes, não o sei
Senão porque é agora
Aquilo que sonhei.
A beleza é uma música que, ouvida
Em sonhos, para a vida transbordou.
Mas não é bem a vida:
É a vida que sonhou.
22 - 4 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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