O Deus P no morreu,
Cada campo que mostra
Aos sorrisos de Apolo
Os peitos nus de Ceres—
Cedo ou tarde vereis
Por l aparecer
O deus P, o imortal.

No matou outros deuses
O triste deus cristo.
Cristo um deus a mais,
Talvez um que faltava.

P continua a dar
Os sons da sua flauta
Aos ouvidos de Ceres
Recumbente nos campos.

Os deuses so os mesmos,
Sempre claros e calmos,
Cheios de eternidade
E desprezo por ns,

Trazendo o dia e a noite
E as colheitas douradas
Sem ser para nos dar
O dia e a noite e o trigo
Mas por outro e divino
Propsito casual.

12 - 6 - 1914

In Poesia , Assrio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[O DEUS PÃ NÃO MORREU ]
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