O céu de todos os universos 
Cobre em meu ser todo o verão... 
Vai p’ra as profundas dos infernos 
E deixa em paz meu coração! 

Quê? Não me fica se te opões? 
Pois leva-o, guarda-o, bem ou mal 
Eu tenho muitos corações 
E um privilégio intelectual 

Madona que vais comprar couves 
Não te esqueças de me esquecer 
O teu perfil dá-me trabalho 
Quero □

Bem sei, o teu perfil persiste 
Amo-te e é triste não poder 
Deixar de amar-te sem estar triste... 
Se és mulher que em verdade existe 
Raios te parta! Vai morrer! 




□ espaço deixado em branco pelo autor
1 - 12 - 1928

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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