Redemoinho, redemoinho
De ao pé do moinho,
Água andando à roda, e dando
Um vago e brando
Marulho de regresso ou mágoa.
Nessa enrolada
Absurda água,
Quero pôr o meu coração,
Para que o veja
Levado à roda inutilmente,
Levado sem para onde ir...
Assim seu sentimento vão
Tem o que seja
Sua expressão;
Assim a minha vida insciente
Terá o sentido de existir.
16 - 2 - 1920

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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