Sim, não tenho razão…
Deixa-me distrair-me do argumento mental,
Não tenho razão, está bem, é uma razão como outra qualquer…

Se nem creio? não sei.
Creio que sim. Mas repito.
O amor deve ser constante?
Sim, deve ser constante,
Só no amor, é claro.
Digo ainda outra vez…

Que embrulhada a gente arranja na vida!
Sim, está bem, amanhã trago o dinheiro.

Ó grande sol, tu não sabes nada disto,
Alegria que se não pode fitar no azul sereno intangível.

30 - 10 - 1931

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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