Salve dia d'amor sempre jucundo!
          Anália encantadora
          Nesta risonha aurora
Para me aventurar vieste ao mundo.

Quando assomar no apavonado oriente
          Amor te viu fagueiro,
          As frechas prazenteiro
Aguçou, e sorriu todo contente:

Fugiu da mãe aos amorosos braços,
          E em teu rosto divino
          Depor foi, de contino,
Encantos, filtros e amorosos laços.

Assim me enfeitiçaste! - assim rendida
          Trago alma e coração,
          Que, sem esta prisão,
Nem eu já sei viver nem quero a vida.

Anália, amado bem, tão fausto dia
          Celebremos contentes;
          E as flores inocentes
Colhamos desta vida fugidia:

O tempo voa, as horas despedidas
          Tão ligeiras decorrem,
          Murcham tão breve e morrem
Rosas que do prazer não são colhidas!...

 


In Lírica de João Mínimo
Almeida Garrett
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