A Morte, que da vida o n desata,
os ns, que d o Amor, cortar quisera
na Ausncia, que contra ele espada fera,
e co Tempo, que tudo desbarata.

Duas contrrias, que ũa a outra mata,
a Morte contra o Amor ajunta e altera:
ũa Razo contra a Fortuna austera,
outra, contra a Razo, Fortuna ingrata.

Mas mostre a sua imperial potncia
a Morte, em apartar dum corpo a alma.
Duas num corpo o Amor ajunte e una;

por que assi leve triunfante a palma
Amor da Morte, apesar da Ausncia,
do Tempo, da Razo e da Fortuna.
 

Luís Vaz de Camões
[A MORTE QUE DA VIDA O NÓ DESATA]
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