Traze - Não negues nem um só botão! -
As rosas todas do jardim desfeito!
Aperta-as todas contra o coração
Pois que as trazes opressas sobre o peito!

Traze até onde o limiar aberto
Aguarda morto tua vida viva;
E, entrada, e o olhar do sonho teu desperto,
Depõe tudo no chão ante o conviva...

Braços abertos, avental descido,
E as rosas todas a juncar o chão,
Sem razão, sem conviva e sem sentido,
No silêncio deserto do salão...

10 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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