Aquelas danças de roda
A que, menino, eu sorria,
Foram-se, e com elas toda
A meninice que as via.

Há coisas que somos nós
Vão-se, e nós vamos com elas.
Não são nós, mas somos sós
Se elas já não são aquelas.

Eram outros a dançar
Os que não dançam agora.
Estes fazem-me chorar
Porque quem fui a os olhar,
Porque já não é, não o chora.

25 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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