Estou contente, no devo nada vida,
e a vida deve-me apenas
dez ris de mel coado.
Estamos quites, assim

o corpo j pode descansar: dia
aps dia lavrou, semeou,
tambm colheu, a at
alguma coisa dissipou, o pobre,

pobrssimo animal,
agora de testculos aposentados.
Um dia destes vou-me estender
debaixo da figueira, aquela

que vi exasperada e s, h muitos anos:
perteno mesma raa.

 


In Branco no Branco
Eugénio de Andrade
[ESTOU CONTENTE NÃO DEVO NADA À VIDA]
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