Ai a tão rara, fugitiva, 
certeza de vencer! 
Não me falem de Esperança! Quero é esta 
decisão nas palavras e nos passos. 

Navios, verdes de limos nas amarras, arrancai 
do cais de meus sentidos! 
Em mim não haja agora nem um gesto 
que não seja bandeira desfraldada 
ou vela de navio. 

Meus mais longínquos pensamentos, 
meus sentimentos mais receosos, 
soltem-se ao claro Sol desta certeza. 
Vinquem de Acção e Vida o ar da Noite. 
 
Ao Mar!, ao Mar!, 
com um peso de ferro atado aos pés, 
o cadáver já podre 
de meus desânimos inglórios! 

E eu, verdadeiro, surja, 
sorrindo a todo o vão desaire. 
Rasguem velas, os mastros estilhacem, 
quantos ventos vierem. 
Verdadeiro por fim, cá vou. 
Nem um momento só, 
largo das mãos meu leme de certeza. 

— Ah!, conquistado a golpes de coragem!, 
ah!, ganho como prémio o que é bem meu 
por direitos legítimos de Moço! 


In CABO DA BOA ESPERANÇA , Ática, 1993
Sebastião da Gama
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