Não há verdade inteiramente falsa
Nem mentira de todo verdadeira.
O rio leva, na espumada esteira
Tudo o que esterilmente me realça...

Prazeres, talento, a perfeição consciente...
O tipo físico distante dos outros,
(E se eu deixar cair uma semente
No rio, os resultados serão neutros)...

Maravilha fatal de toda a verdade...
O homem que se interroga, e age por fora
E só regressa a casa se não piora...

No entanto, um bocado de saudade,
Uma maneira de um apego à hora
E uma reminiscência sem verdade.

19 - 7 - 1926

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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