eternas e desoladas noites que faltam
mortas uma vez mais as casas onde pernoitámos
surda a memória onde um dia escondeu a paixão

eternas as feridas iluminadas dos pulsos
ausentes os mares reconhecíveis e os veleiros
que inventávamos para a travessia das manhãs

eternos os desertos deste país
e o cais de esquecimento onde embarcámos
sempre para lugar nenhum

eternas as mágoas cinzeladas no peito
imenso mapa de areia
onde ousei assinalar o corpo amado
ainda jovem quase morto

 


In O Medo
Al Berto
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