Ninguém me disse quem tu eras,
Ninguém falou de que virias.
Vieste, e havia primaveras
Em que só tu florias..

Não sei ainda se vieste
Pois não distingo o sonho e a vida.
Sei qual o bem que me trouxeste,
Mas não me foi guarida.

Era um desejo começado,
Era um anseio por achar.
Só me resta do teu agrado
O tornar-te a sonhar.

20 - 10 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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