O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua,
Oiço: cada som é consigo.

Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.

Depois de eu cessar, o ruído...
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada...

21 - 2 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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