Entre o que vejo de um campo e o que vejo de outro campo 
Passa um momento uma figura de homem. 
Os seus passos vão com «ele» na mesma realidade, 
Mas eu reparo para ele e para eles, e são duas cousas: 
O «homem» vai andando com as suas ideias, falso e estrangeiro, 
E os passos vão com o sistema antigo que faz pernas andar. 
Olho-o de longe sem opinião nenhuma. 
Que perfeito que é nele o que ele é — o seu corpo, 
A sua verdadeira realidade que não tem desejos nem esperanças, 
Mas músculos e a maneira certa e impessoal de os usar.

 

In Poemas Inconjuntos


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith, 2001
Alberto Caeiro
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