Por que gasto em sonho, vazio e vão,
Minha juventude em estéril chorar?
Por que conto os anos em febril olhar
E as vias da dor, triste o coração?

Por que choro assim, se ganho não vem
A mim ou a outros do medo ou lamento?
De longe o futuro ri do meu tormento
E o passado em mim não mais se detém.

O céu que não erra e não quer desgraça,
A cada um aqui tarefa quis dar,
Longe a recompensa e a paz no fim.

Ao trabalho então, assim Deus me faça
Forte, que o Diabo possa sufocar
E dentro vergar os Demónios de mim.

 

1905

In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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