Lenta, descansa a onda que a maré deixa.
Pesada cede. Tudo é sossegado.
      Só o que é de homem se ouve.
      Cresce a vinda da lua.
Nesta hora, Lídia ou Neera Ou Cloe,
Qualquer de vós me é estranha, que me inclino
      Para o segredo dito
      Pelo silêncio incerto.
Tomo nas mãos, como caveira, ou chave
De supérfluo sepulcro, o meu destino,
      E ignaro o aborreço
      Sem coração que o sinta.

 

6 - 7 - 1927

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
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