O conto antigo da Gata Borralheira, 
O João Ratão e o Barba Azul e os 40 Ladrões, 
E depois o Catecismo e a história de Cristo 
E depois todos os poetas e todos os filósofos; 
E a lenha ardia na lareira quando se contavam contos, 
O sol havia lá fora em dias de destino, 
E por cima da leitura dos poetas as árvores e as terras. 
Só hoje vejo o que é que aconteceu na verdade. 
Que a lenha ardida, cantante porque ardia, 
Que o sol dos dias de destino, porque já não há, 
Que as árvores e as terras (para além das páginas dos poetas) □ —
Que disto tudo só fica o que nunca foi: 
Porque a recompensa de não existir é estar sempre presente. 



□ espaço deixado em branco pelo autor

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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