A névoa sobe à tona irreal da Hora,
Desfolha, cousa a cousa, a Nitidez...
Alheia a mim, em mim minha alma chora
Saudosa de uma ausente eterna aurora,
E sente-se penumbra e fluidez.

Eu que(m) sou? Névoa  que não se torna
Realidade à sua própria dor...
Olho minha alma... Nada  a contorna,
E sobre a mim a Tarde mais entorna
Seu diluído sonho exterior...

Pesa-me nos ombros todo o meu passado;
Sou o que fui sentindo-se o que sou...

 


 espaço deixado em branco pelo autor.

25 - 9 - 1932

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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