Bem sei, bem sei: eu sou essa criança
Que encontraram na estrada
Após aquela intérmina tardança
Que não quer dizer nada.

Sou a criança que não pude ser.
Dormem mundos em mim.
E ergo a cabeça que não sei erguer
Para mais que o meu fim.

Sim, tenho alma para os astros todos,
Eu sei o que é sonhar,
Com todos os sentidos e os modos
De nada vir a achar.

20 - 11 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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