Em círculos concêntricos vivemos,
Nenhum cruzado céu nos volve a vida
Que sonhamos, que somos ou que temos.
Do antro irreal em círculo partida
Em raios desiguais de nada extremos.

O olhar não se vê. O ouvido, que se cola
Às portas para nada, se engalana
De um falso som que só de si dimana.
Nada há que do nada nos consola.

Fingimos a alma, solidão perdida. 

 


In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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