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Era nas suas mãos que terminavam 
as coisas infinitas e as finitas. 
Por isso as suas mãos eram abismos 
aonde se perdia o Pensamento. 


Tudo ganhou sentido num momento... 
Água mansa com choupos reflectidos, 
teu olhar descansava no do Poeta; 
e a poesia das coisas sem Poesia, 
que no olhar do Poeta dormitava, 
de súbito nas coisas acordava 
— tão natural, tão íntima, tão própria, 
como se fora delas que nascera... 


In CABO DA BOA ESPERANÇA , Ática, 1993
Sebastião da Gama
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