Gosto de imaginar cousas.
Todo o caminho andado a imaginar
        É cheio de invisíveis rosas.
Tem luz e fresco sem ter ar.

        Se tudo é um sonho,
Façamos sonhos voluntariamente,
        Que esses serão risonhos
E, enquanto são, a vida não se sente,

        Deveres e razões
Tenham os outros, já que vivem só.
        Tudo isso e a vida disso é ilusões.
E o mesmo sol os doura, pobre pó.

6 - 8 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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