Paira à tona de água
Uma vibração,
Há uma vaga mágoa
No meu coração.
 
Não é porque a brisa
Ou o que quer que seja
Faça esta indecisa
Vibração que adeja,
 
Nem é porque eu sinta
Uma dor qualquer.
Minha alma é indistinta
Não sabe o que quer.
 
É uma dor serena,
Sofre porque vê.
Tenho tanta pena!
Soubesse eu de quê!...

14 - 3 - 1928

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar