Sol de inverno triste e frio
Embora claro e coitado,
Ao meu coração vazio
Não dás mais que alheio agrado...

Agrado de se estivesse
Em outra parte, ou de ser
Alguém outrem que tivesse
A dita que não sei ter.

Claro, e um pouco matinal
Ainda que no auge do dia,
Fazes-me bem, fazes mal...
Mal bom, bem sem alegria.
 
Lá fora talvez onde há
O pleno azul que é o céu,
Alguém por seu te terá.
Eu nem te tenho por meu.

23 - 12 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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