Soa na noite de todos
O meu relógio de mim...
O silêncio existe a rodos
E os astros não têm fim.

Há todo o espaço celeste
Para eu nele meditar.
O meu coração é este
Que está em mim a pulsar.

Pobre músculo mortal
Que põe sangue em todo eu...
E o relógio, seu sinal,
Dá horas a todo o céu.

7 - 10 - 1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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