Bom vento do mar, bom vento
Que vens de cima do mar,
Vem dizer-me ao pensamento
Que o melhor é não pensar.

Se acreditar no que existe
Faz triste quem o não é,
Mais vale ninguém ser triste
E não ter crenças nem fé.

Mas tu, bom vento que vens
De cima de ondas sem fim,
Nem fé nem descrenças tens.
Tomara eu ser assim!

6 - 8 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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