Se eu tivesse a vida que quero
E não a vida de que gosto!
Passam os barcos no rio largo.
Meu pensamento está em letargo
E um silêncio sem reverbero
Põe □ no meu desgosto.
Uma agonia apavorada
De não sei que mistério de ouro
Sobe p’ra mim por uma escada
E floresce no meu choro.
15 - 4 - 1915

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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