Oscila a lâmpada vazia
Em pleno tremplo abandonado
Quem quer o quê do que esta fria
Igreja guarda do passado?

Trouxe-me aqui o andar errado
Que deu a volta à casaria,
Deixei lá longe o vasto prado
Onde olivais enchem o dia.

Aqui, só claustro fecha e esfria
Faltando o azeite lá do prado.
Oscila a lâmpada vazia
No vasto templo abandonado.

Meu Deus, e eu vim daquele lado!

6 - 2 - 1932

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
« Voltar