Foste um mundo no mundo
E és agora
O resto que de ti
Já não posso perder:
A terra, o mar e o céu
Que todo eu
Sei conhecer.

Foste um sonho redondo,
E és agora
Um palmo de amargura
Retornada.
Amargura que
em mim
Também nunca tem fim,
Por ter sido comigo baptizada.

Foste um destino aberto,
E és agora
Um destino fechado.
Destino igual ao meu, amortalhado
Nesta luz de incerteza
E de certeza
Que vem do sol presente e do passado.

                                                Coimbra, 28 de Abril de 1977

28 - 4 - 1977

In Diário XII
Miguel Torga
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