Os teus olhos azuis são cor do céu
E são por isso cor do paraíso.
Vejo-os e passa no coração meu
Como uma saudade o seu sorriso.

Estrelas matutinas no acordar
Do meu amor, azul do céu distante...
E eu, se os olho, fico sempre a olhar,
E a olhar esqueço minha dor constante...

Olhos azuis cuja alegria é a flor
Da minha dor tornada comoção...
Flori de aurora a minha negra dor...
Só com olhar-me abri-me o coração...


[1917]

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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