O que eu penso não sei, e é alegria
Pensá-lo, nada sou, salvo a harmonia
Interior entre existir e ouvir
A música cantar-te e dissuadir
Da vida, e desta inútil atenção
Ao útil dada, morta sensação
      Real, passada,
E à minha mente inutilmente dada.
26 - 11 - 1916

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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