Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
      E antes magnólias amo
      Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo
      Que a vida por mim passe
      Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
      Que um perca e outro vença,
      Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a primavera
      As folhas aparecem
      E com o outono cessam?

E o resto, as outras coisas que os humanos
      Acrescentam à vida,
      Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença
      E a confiança mole
      Na hora fugitiva.

1 - 6 - 1916

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
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