Não sei que mágoa me dói...
Se a hei-de chorar ou esquecer...
Lembro-me a sonhar de ver...
Tudo me parece que foi
Só para deixar de ser.
 
Ah como às vezes um cheiro
Ou uma música traz
Todo o passado ao terreiro.
Porque é que a vista não faz
Tanta lembrança primeiro?

Que mágoa me dói? Foi esse
Perfume (não sei que flor)
Do jardim que me fez dor.

20 - 9 - 1930

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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