O ritmo antigo que há em pés descalços,
Esse ritmo das ninfas repetido,
      Quando sob o arvoredo
      Batem o som da dança,
Vós na alva praia relembrai, fazendo,
Que scura a spuma deixa; vós, infantes,
      Que inda não tendes cura
      De ter cura, reponde
Ruidosa a roda, enquanto arqueia Apolo,
Como um ramo alto, a curva azul que doura,
      E a perene maré
      Flui, enchente ou vazante.

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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