Porque dormes, porque dormes,
Porque dormes sem razão
Sob céus fictícios e enormes
Sem nenhuma sensação?

Desperta! Há aurora no mundo
O sol doira o que se vê,
E há um sentimento profundo
Que se não sabe o que é.

Mas tu dormes, dormes… Ah,
Quem sabe se dormes bem
E se o que em teu sono há
Não é mais que a aurora tem.

3 - 10 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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