Não queiras, Lídia, construir no spaço
Que tu te crês futuro, ou prometer-te
      Esta ou aquela vida.
      Tu-própria és tua vida.
Sonha teus sonhos onde os sonhos vivem.

Não te destines. Não te dês futura.
Cumpre hoje, e a gestal taça gasta
      Ínscia da que se segue
      E inda vazia enches.

Quem sabe se entre a taça que tu bebes
E a que queres que siga não te a Sorte
      Não interpõe, sábia,
      Toda □

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
« Voltar