Tine fina ainda
A campainha f’rida
De que se inclina a linda
Lida de livre e ardida,

Porque vibrada, e a ida
De ela pra ali e a vinda
Do seu oscilar finda
No tremular perdida.

Simultânea ferida
Da hora prolixa e infinda
Sob pálpebra descida
O olhar que a sombra alinda

E o estio em frio fina.

Quem fica a rir da advinda
Prece que dói, convida
E divide porque inda
Sobra do frio a vida?

Cicio frio.., e brinda
Nossa alma a hora lida...

26 - 5 - 1915

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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