Há um murmúrio na floresta,
Há um murmúrio e não há já.
Há um murmúrio e nada resta
Do murmúrio que ainda está
No ar a parecer que há.
 
É que a saudade faz viver,
E faz ouvir, e ainda ver,
Tudo o que  foi e acabará
Antes que lembre de o que esquecer
Como a floresta esquece já.
8 - 3 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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