Quando eu nasci, 
ficou tudo como estava. 

Nem homens cortaram veias, 
nem o Sol escureceu, 
nem houve Estrelas a mais... 
Somente, 
esquecida das dores 
a minha Mãe sorriu e agradeceu. 

Quando eu nasci, 
não houve nada de novo senão eu. 

As nuvens não se espantaram, 
não enlouqueceu ninguém... 

Pra que o dia fosse enorme, 
bastava 
toda a ternura que olhava 
nos olhos de minha Mãe... 


In SERRA-MÃE , Ática, 1991
Sebastião da Gama
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