Não consentem os deuses mais que a vida.
Tudo pois refusemos, que nos alce
       A irrespiráveis píncaros,
       Perenes sem ter flores.
Só de aceitar tenhamos a ciência,
E, enquanto bate o sangue em nossas fontes,
       Nem se engelha connosco
       O mesmo amor, duremos,
Como vidros, às luzes transparentes
E deixando escorrer a chuva triste,
       Só mornos ao sol quente,
       E reflectindo um pouco.
 

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[NÃO CONSENTEM OS DEUSES MAIS QUE A VIDA.]
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