(Sonho de ver o mundo parado)


Casa.

Aqui o sonho é mais exacto,
quase real
— espanto de fluido e cal.

Encosto a face
ao vidro da chuva
com a sensação quente do abandono
que me esfria a cara.

Lá fora o vento desfaz-se.
E os homens, os prédios, os mortos
vogam no sono...

Cá dentro
por um momento
tudo pára.

 


In Cidade Inexacta
José Gomes Ferreira
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