Teias de horror na falsa aragem
A aranha do abismo tece...
O luar não mostra; e a folhagem
É do meu medo que estremece.

Mas ergue-se do fim do abismo
O medo e a máscara do dia...
A esfinge ao fim da fantasia.

Gnomos ou elfos feios fazem
Pavor entre o ar e o arvoredo?
Como uma laje os luares jazem,
Jazem do fundo do meu medo.

Que manhã ou clarim ou riso
Despertará o bosque mudo?
Meu medo faz tudo impreciso.
Meu sonho faz meu medo tudo.

7 - 10 - 1930

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar