Manhã que raias sem olhar a mim,
Sol que luzes sem qu’rer saber de eu ver-te,
      É por mim que sois
      Reais e verdadeiros.
Porque é na oposição ao que eu desejo
Que sinto real a natureza e a vida.
      No que me nega sinto
      Que existe e eu sou pequeno.
E nesta consciência torno a grande
Como a onda, que as tormentas atiraram
      Ao alto ar, regressa
      Pesada a um mar mais fundo.
23 - 11 - 1918

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
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