Andavam de noite aos segredos
       Só porque era noite...
Os bosques enchiam de medos
       Quem quer que se afoite...
Dizem palavras que param
       À sombra de alguém...
Ninguém os conhece, e passam...
       Não eram ninguém...
Fica só na aragem e na ânsia
       Saudade a fingir...
Foi como se fora distância...
       Eu quero dormir.
11 - 2 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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