Junta as mãos e reza...
Há no ar tu rezares...
Sinto a alma presa
Do que (tu) pensares...

Não há a capela
Mas há a paz de crer-te
Só, rezando nela,
E eu sonhar-te é ver-te...
 
Nada disto é certo...
Sorris
E pairam perto
Nuvens de perfis...
 
Todos desconheço
A todos amo...
Na bruma me esqueço
E por mim chamo...
Mas cessou o canto

Que me fez sonhar
Este encanto...
Deixa-me não te achar...

24 - 7 - 1916

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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