Bem sei… Um leve sorriso
Que, porque tardou,
Ficou mais impreciso
Do que ficou…

Um intervalo: sentir
E saber que se sente,
Fá-lo a sorrir
Quem é inteligente.
Mas quem é só gente

Sente deveras mágoa
Por aquele sorriso
Não ser senão como a água,
O Impreciso…

 

7 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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