Aqui, nesta vasta imensidade,
        Cada árvore ou pedra vem encher-me
Com a tristeza da felicidade!
        Deus na sua plenitude
Em cada árvore ou pedra é realidade.

Uma visão interior exteriorizada
         Torna meu claro ser desconhecido.
(Ó Divinamente solitário!)
         Deus, na sua transcendência,
Em cada árvore ou pedra Sua morte ultrapassada.

Sim, na simples casca ou torrão
         De terra e pedra e árvore,
Deus é sua afirmação,
         Deus na sua divindade,
Alma concreta, em cada coisa abstracção.


In POESIA INGLESA II , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 2000
Fernando Pessoa
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