Pouco da vida que tive
Foi a que devesse ter.
O que em mim ainda vive,
Deseja poder querer.

Deseja, sim, mas não sabe
Se na grande lotaria,
É a vontade que lhe cabe
Ou só o que ela seria.

Mas, enfim, o que é que importa
O que há ou o que não há?
A vida é só estar à porta.
Só passa quem passará.

20 - 9 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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